Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De capacete e batom

De capacete e batom

20
Fev16

Entre paixões

Dora Sofia

Perguntam-me muitas vezes como levo a vida entre as motas e o crochê, como concilio estes dois mundos. E eu rio-me. E rio-me ainda mais por dentro, porque as pessoas vivem presas aos clichês: que o crochê é para avozinhas e as motas são para doidivanas.

Em comum, na verdade, está a paixão. Esta gola-colete nasceu do casamento das paixões: o crochet e as motas! 

O passeio hoje foi até ao Cartaxo, Dainese, para ver as novidades.

Por mais que ande, os kilómetros começam a saber-me a pouco e, por isso, paro menos vezes para as fotografias. Tenho, também, a minha máquina fotográfica avariada, outra vez , daí termos apenas usado o telemóvel para registar a voltinha do dia. 

Os entendidos perceberão que é só mesmo para a fotografia e que não saí do átrio de casa, pois é impossível andar de mota nestes propósitos. A trança é a melhor amiga de uma motociclista com os cabelos compridos ...

Fica, assim mesmo, o registo: falta-me o capacete, mas não me falta o batom!

 

IMG_20160219_173558.jpg

IMG_20160219_173141.jpg

 

 

 

IMG_20160219_173910.jpg

 

Ah! Enquanto o rapaz afinava os comunicadores, ainda deu para uma fotozinha singela:

IMG_20160219_145545.jpg

Reconhecem a vista?

 

Boas curvas!

05
Fev16

Milu... de Óbidos a S.Martinho

Dora Sofia

Todas as desculpas são boas para andar de mota, mas a melhor desculpa é quando saímos para nos juntarmos a outra mota. Há uma vontade maior para chegar e uma cumplicidade excecional no caminho que fazemos juntos.

Ouço o sino a lembrar-me o correr apressado das horas. Devia marcar cabeleireiro. As raízes brancas tomam de assalto o espelho e os outros não conseguem disfarçar os olhares fugidios, a que vou reagindo com a indiferença de quem faz de propósito, porque é Carnaval...

Ainda assim devia marcar cabeleireiro.  Pego no telemóvel, mas a vontade está indomável.

Mando um sms: encontramo-nos em S. Martinho.

A história repete-se, portanto. Esqueço o cabeleireiro e opto, ainda, pelo que me despenteia. Saio, de capacete e batom.

A primeira paragem faz-se no Sr. da Pedra. Aqui tão pertinho. Mil vezes aqui passei, dizendo-me que tinha de parar. Foi hoje o dia. Um santuário magnífico:

IMG_20160201_123204.jpgIMG_20160201_123736.jpg

 

IMG_20160201_123329.jpg

 

Almoçamos sozinhas, eu e aminha Branquinha Milu,  na Foz do Arelho, quase a mais bela praia do mundo.

Prefiro-a assim: deserta, calma, imensa...

IMG_20160201_131820.jpgIMG_20160201_131848.jpgIMG_20160201_135430.jpg

 

IMG_20160201_135515_1.jpg

 

Sigo caminho à beira-mar.

IMG_20160201_140905.jpg

 

A estrada é fantástica com pedaços de mar a cortar as vistas

.IMG_20160201_142003.jpg

Cruzo-me com um motard numa chopper e ele levanta-me os dedos.

Saudação motard.jpg

Respondo, também. É a primeira vez que o faço, como motociclista, e, sem querer, sinto um sorriso parvo na cara. Então é esta a sensação???!! Depois sigo em direção a Salir do Porto. Não conheço a zona e julgo que dali poderei seguir até S.Martinho. Não posso. E ainda bem! Chego a um ponto sem saída e sou obrigada a voltar para trás, mas, antes, tenho tempo para uma pausa, um passeio a pé, umas fotos e a certeza que não me enganei no caminho. Era mesmo esta a direção que devia ter tomado para poder apreciar este pedaço de beleza.

IMG_20160201_144241.jpg

 

IMG_20160201_144318.jpg

 

 

Por fim, S. Martinho do Porto.

IMG_20160201_145319.jpg

IMG_20160201_145347.jpg

 

E o encontro dos amantes clandestinos.

 IMG_20160201_154649.jpgIMG_20160201_154721.jpg

Boas curvas!

04
Fev16

Em busca do melhor caminho

Dora Sofia

A maior parte das vezes o melhor caminho é aquele que nos leva a casa.

Em dias de sol na varanda e silêncio na montanha, gosto de vir para casa, almoçar sozinha de prato na mão, sentada na beira do jardim a ouvir o cão que ladra lá longe, o sino que toca na aldeia no alto da serra, e prolongo o café, enquanto o silêncio me afaga as ideias das coisas para fazer, dos caminhos para percorrer.

 

IMG_9873 - Cópia.JPGIMG_20160204_141537[1].jpg

 

Boas curvas! 

 

 

03
Fev16

Too good to be bad

Dora Sofia

“As meninas boazinhas vão para o céu, as que andam de mota vão para todo o lado”. Garantem-mo. E eu acredito. Aliás é esse lado de menina má, que pode ir a todo o lado, que tem servido de alento à vontade de comprar a GS.

IMG_20160201_142003.jpg

 

Mas, se o espírito para rolar me conduz a qualquer lado, já a malvadez para abandonar a minha Branquinha escasseia. Sei que daqui a alguns tempos/quilómetros me vou rir, mas nos meus dias de treino, o mais difícil de tudo é… estacionar! Pois, eu sei, eu sei, o lema é deixá-la no passeio mais perto da porta que vou usar, mas, raios!, em cima do passeio???!! Arrisco uma multa. Num cantinho entre os carros? Arrisco encontrões desagradados. À vista de todos? Arrisco que a ponham ao chão. Escondida de todos? Arrisco que ma ROUBEM (?!!???) Socorro! Resolvo, enfim. Fica no lugar de estacionamento, ainda que gozem comigo ou que me chamem nomes por ocupar um lugar de carro…

Ora, ora, também pago impostos, sabiam??? – digo entredentes à minha própria consciência.

E, pronto, seria quase perfeita esta decisão, se o chão do estacionamento não fosse irregular, se eu não tivesse que fazer uso de todos os meus conhecimentos de matemática, física e geometria para perceber qual é o lado certo para a deixar inclinada, se quando eu “fizesse marcha atrás” tivesse força suficiente para a fazer galgar a lomba mesmo, mesmo, à entrada do lugar do estacionamento e que eu, poderia jurar, alguém pôs ali só enquanto fui deixar uma encomenda no marco dos Correios...

Estou quase a pôr a primeira, subir pelo passeio fora, e continuar pelo jardim (que eu quero é andar!), não fosse o posto da Polícia ser mesmo em frente… e o meu lado boazinha demais para andar de mota não me tivesse dado um empurrãozinho mental na “marcha atrás”.

Enfim, só me resta esperar que isto passe.

E por aí? Dilemas na hora de estacionar e deixar as vossas motas?

 

Boas curvas!

01
Fev16

Os caminhos incompletos - parte 2

Dora Sofia

 

As viagens são, assim, inesperadas. Não sabemos o que nos espera depois da próxima curva, e a única certeza é a de és tu que constróis o teu caminho.

Chegados a S. Martinho, percorremos estradas sem saída, becos particulares e percebemos que, em algum ponto, nos desorientámos. Escolhemos um miradouro para tirarmos umas fotografias, nos situarmos e decidirmos para onde seguir.

IMG_20160118_151336.jpg

IMG_20160118_151345.jpg

IMG_20160118_151415_1.jpg

 

É nesse momento que a GS se torna caprichosa e perde qualquer sinal de vida. Tentamos a Manobra de Heimlich para motas que consiste basicamente em escolher uma descida e empurrar a bichinha por aí abaixo enquanto se fazem todos os esforços para a “desengasgar”. Nada! De seguida, recorremos ao serviço de emergência local, mecânico da terra, que veio munido do kit de Suporte Básico de Vida para motas, ou seja, os cabos de ligação à bateria, mas, mesmo assim, não houve sinal de vida. Fomos obrigados a chamar o pronto socorro que a encaminhou para um especialista da área. 

Deviam ver a cara e o humor do maridão quando empurrou a mota para cima do reboque. Até fiquei com pena do senhor, sujeito a quetionário extenso. A mota vai só assim? Não há nenhum outro sistema? não tem mais correias? Tem a certeza que não vai cair?...

Não queria que fotografasse o momento e, quando me viu de máquina em punho, gritou-me: - Nem penses! Não vais fotografar a minha mota em cima de um reboque. Bem, a má-disposião era tanta que eu até tinha razões para ficar com ciúmes, não fosse o caso de estar mais preocupada com o facto de ter de lhe emprestar a minha mota, para seguirmos viagem. Não que eu quisesse. Não queria. Mas, apesar de me sentir cada vez mais à vontade em cima da Branquinha, não me parece que esse sentimento se mantivesse com um "pendura" de 1,86m e mais de 90kg. Assim, rendi-me às evidências e lá lhe passei a chave.

Ainda assim, consegui registar o momento, primeiro, sem ele saber e, depois, porque lhe garanti que era uma prova em como tínhamos mandado a  mota no reboque...

IMG_20160118_162822.jpg

IMG_20160118_163743.jpg

 

 A Branquinha portou-se bem nas mãos do marido, e ele percebeu que quando eu lhe digo que não posso andar a muita velocidade na autoestrada, sob risco de lesionar o pescoço ou deslocar um braço, isso é inteiramente verdade. É uma naked, ponto final. Acho que ela não gosta muito de auto estradas... e eu também não!

Boas curvas!

 

PS: obviamente só agora posso publicar este post, uma vez que a GS já voltou a casa, está bem de saúde e a rolar como deve ser... coisas de homens com motas :-P

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D