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De capacete e batom

De capacete e batom

03
Jan16

Entre curvas: do Oeste à Beira Baixa

Dora Sofia

O dia estava carregado de promessas: estava garantido o tempo necessário de viagem sem chuva ou vento; os miúdos entregues aos avós; o roadbook elaborado; o óleo na corrente (ups!!)... e o sol a brilhar!

 

Mas, como sempre, do outro lado da montanha, nada é como parece ser. Ao fim da meia dúzia de quilómetros que nos separa do cume da Serra de Montejunto, o nevoeiro instalou-se a ensombrar a primeira parte da viagem. Em Santarém pouco vimos, mas fica a vontade de voltar, as casas anunciam-se glamorosas e as ruas repletas de coisas para descobrir. Perdemo-nos no nevoeiro e as portas do sol encontraram-nos por acaso, mas do sol nada! apenas portas... do nevoeiro...

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Já em Almourol, o sol espreitou por minutos. O tempo suficiente para um cházinho na esplanada e umas fotografias...

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Era preciso continuar. A fome levou-nos até ao "Pezinhos no Rio" em Constância, uma esplanada sobre o rio, com um bom bife e um preço bastante em conta, se considerarmos a localização maravilhosa ,e onde o rapaz que nos atendeu fez questão de salientar "sou  um rapaz simpático, mas a inteligência não é o meu forte" e nós concordámos, pois se o fosse ele não diria tal pérola. De notar: os gatos! há mil gatos a passear pelas ruas e, claro, há Camões!

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Próxima paragem: Vila de Rei, Centro Geodésico de Portugal. Não era uma primeira vez, mas de mota, já o disse, tudo é uma primeira vez. descer aquela estradinha, cheia de gravilha e caruma, com umas quantas curvinhas acentuadas foi uma novidade. Acho que, tal como qualquer motard, se os houvesse a assumirem a sua inexperiência, ao contrário do "a descer todos os santos ajudam", a minha grande aventura são as descidas com curvas... Mas em breve viria a perceber como é que a coisa se faz, se não fosse pelas explicações e conselhos detalhados do meu PMT (personal motorcycle trainer) seria pela quantidade de curvas que o trajeto seguinte impunha. 

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A ideia era dormirmos numa aldeia perdida entre montes e montanhas do concelho de Oleiros, onde residem habitualmente meia dúzia de habitantes, e cujo caminho para lá se carateriza pela emblemática resposta à questão "O que é que há na Urraca a seguir a uma curva? Outra curva!!!"

 

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A Urraca é uma aldeia onde ainda encontramos algumas casinhas em pedras, mas muito poucas; a migração dos habitantes para outras terras levou-os a reconstruir e construir casas sem a manutenção das caraterísticas originais. Em contrapartida, as pessoas continuam bem originais e a nossa chegada é sempre um acontecimento, quer tenhas lá estado há dois anos ou há dois dias atrás. Os habitantes (muito poucos!) abrem-te as portas de casa e tens de beber, e tens de comer, e tens de conversar, mesmo!, porque rede de internet só há em esquinas fugidias e o televisor, nos dias em que há visitantes (nós!), é um móvel decorativo para colocar naperons de croché e fotografias antigas.

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Já do caminho de regresso pouco há a contar. A chuva afirmou-se como companheira desde o início e eu percebi que, se não me incomodava particularmente com ela enquanto pendura, como condutora  o discurso não é o mesmo... A meio do caminho optámos pela auto-estrada e aí também não fiquei fã. Andar um pouco mais depressa com a minha Branquinha é um verdadeiro exercício de força de braços, peito, pescoço... 

Foi a minha primeira longa viagem. Tenho a certeza que será a primeira de muitas, porque a vontade tem espírito indomável!!

 

Boas curvas!

 

 

 

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