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De capacete e batom

De capacete e batom

31
Dez19

Quando o fim é o princípio

Dora Sofia

O ano não poderia ter um melhor final. 

Depois de dias e dias adiados, porque as pessoas são sempre o mais importante, e havia consultas no IPO, e incertezas, e inquietações, no passar das horas, ou havia um aniversário, uma festa, um final das aulas, um jogo de futebol, uma exibição de ballet... tantas pessoa se sobrepuseram às nossas viagens de mota que acabámos por concluir que 2019 não era o ano de andar de mota. Mas foi.  Porque agora não somos dois, somos quatro. 

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E não foi uma viagenzinha de ir à praia passear os pés na areia ou ir até à esplanada do café da esquina. Lançado o desafio, os miúdos não quiseram ficar para trás. E o Alentejo brindou-os com um sol de verão, mergulhos nas piscina (com o pai, porque a mãe é mais de mergulhos num qualquer livro, numa espreguiçadeira com muito sol), e mil e uma brincadeiras. 

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E, no regresso, o frio da Serra da Arrábida, para perceberem do que se fala quando se fala de andar de mota com cinco graus e da importância de termos a roupinha certa. 

Da gravilha escaldante alentejana aos caminhos gelados  das serra. As GS não se queixaram. 

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É verdade que a Branquinha não simpatizou particularmente com os cotovelos no Portinho da Arrábida, chegou mesmo a revelar alguma fúria, mas a mota mais linda do mundo sabe que riscos na chapa é coisa que não se apaga, e mesmo se vai à berma, há que pegar depressa a estrada... bem, e convenhamos que levar uma das pessoas mais importantes no mundo atrás também deve ter tido a sua influência...

E para fechar com chave de ouro, um almoço com amigos.  Há lá algo melhor para celebrar um ano que se previu sombrio e termina tão cheio de luz?

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Foram 3 dias a sentir como o nosso país é extraordinário. As paisagens, o clima, a diversidade, os cheiros, a hospitalidade das pessoas que conhecemos são possibilidades infinitas. Ainda bem que podemos partilhá-las com os nossos filhos. 

Que venha 2020!

Boas curvas!!

 

27
Set19

Viajar, passear, andar

Dora Sofia

Gosto das palavras.  As palavras encobrem sentidos que se vão esvaziando com o uso e, depois, há um dia em que te deparas com uma, tropeças e ficas enamorada da palavra.  

A palavra de hoje não é uma, são três. Andar de mota. Acho que, finalmente, comecei a andar de mota. 

Já tinha viajado algumas vezes. Viagens mais ou menos longas, ainda que sempre curtas para os viajantes. Em grupos e a dois. Mas viagens. Que me levam a terras desconhecidas, durante uns - poucos - dias.  Isto é viajar. 

Mas há também os passeios.  Uma tarde pelas praias do Oeste, um almoço repentino no Alentejo, uma visita a um amigo, uma passagem por uma feira. Com amigos, a dois, ou solitariamente perdida pelos caminhos. Isto é passear. 

Andar é outra coisa. É fazer da mota o teu meio de transporte. Hoje, com o sol a brilhar, amanhã, com o nevoeiro colado à varanda ou depois com a promessa de um dia ensolarado a dissolver-se nos pingos da chuva que te fazem chegar pintinha ao emprego.  Todos os dias. Quando tens de ir comprar o jantar e o selecionas ao milímetro, quando os miúdos precisam que os vás buscar e tens de sair mais cedo, quando vestiste uma saia por rotina, mas afinal umas calças são perfeitas... 

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Não é que eu não goste de viajar.  Adoro. Não é que eu não aprecie passear.  Adoro! Mas andar de mota é, literalmente, bom todos os dias. Um desafio de concentração, pelos que travam sem aviso, pelos que passam a dois metros da passadeira ou não passam na passadeira de todo, pelos que olham para ti, te veem e, apesar disso (ou por isso, nem sei bem) se metem à tua frente e te obrigam a gincanas, pelas estradas cortadas, partidas, interrompidas... E é um desafio de deleite. Pelas cores, pelos cheiros, pelos sorrisos...

Nota: andar de mota tem amenizado substancialmente o meu problema com os estacionamentos, no entanto, continuo a preferir o lugar de um carro ao lugar no passeio.  Desculpem lá, senhores automobilistas, mas pago por e para isso! E, para além disso, passeios são para pessoas, carrinhos de bebés e cadeiras de rodas... 

Boas curvas!

 

 

 

26
Jul19

Banho de chuva

Dora Sofia

Saio do trabalho e os chuviscos da tarde prolongam-se. A D. Branquinha está encharcada, mas nem me ocorre a  ideia infeliz que tive de ter trazido o casaco de verão, nem de tentar perceber por que motivo tinha logo hoje de ter seguido os conselhos de "motociclistas entendidos" que acham que andar de botas no verão não combina com andar de mota no verão, nem me apercebo das luvas finas, ou do banco molhado, e tento não pensar no pinlock   estragado que me obrigará a levar com a chuva na cara. Não, não considero nada disso. No limite do desconforto antecipado penso no batom que talvez não chegue perfeito a casa. E sorrio.

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Afinal talvez tenha sorte.  Cansada de pedir ao marido para me lavar a mota,  o que pressupõe sempre um alinhamento astral específico que o leva a, depois de passar uma manhã inteirinha a lavar, limpar, abrilhantar, e puxar o lustro à sua mota, se dignar a passar uma mangueirada de água da torneira na minha, esboço um sorriso. Os astros não têm estado de feição.  Ah! Tu tens tempo! - responde-me ele.  - Ah! Tu é que tens de lavar a tua mota! - acodem os amiguinhos dele - se não lavas a mota, não gostas tanto assim da tua mota nem de andar de mota - dizem-me.

Ora este é só o argumento mais parvo.  Eu gosto de andar de mota. Não gosto de lavar a mota.  Também gosto de cozinhar. E também não gosto de lavar as panelas. E gosto de vestir roupa nova. Mas não gosto de lavar roupa nova.  E gosto de me deitar na relva do jardim. Mas não gosto de cortar a relva do jardim. E podia continuar a lista. Não é difícil de entender. Gosto de andar de mota. Não gosto de lavar a mota. Aliás nem saberia.   Não saberia o que fazer com tanto spray, creme, óleo e afins. Banho de mota é algo só comparável a spa de noiva em véspera de casamento, com esteticista e cabelereiro incluídos.

Perante este impasse que não tem tem impasse nenhum porque cá em casa quem lava as motas (ainda que a minha seja só com a água da torneira) é ele e não eu, confesso, pois, que me vi atacada por uma onda de felicidade ingénua ao imaginar que com o banhinho inesperado da chuva o problema ficava resolvido.  E lá fiz quase todo o caminho debaixo da chuva molha-tolos com um sorriso convencido no rosto.  Ele ia ver só quando eu chegasse a casa... como a D. Branquinha estava lavadinha...

Estava, sim. Em sonhos.

Na verdade, parou de chover. Só o tempo suficiente para a melhor mota do mundo secar. Portanto, podem imaginar que de empoeirada a D. Branquinha passou a enlameada, o que até poderia ser considerado bom, se eu tivesse andado a fazer offroad com ela, mas como o mais próximo disso é a péssima qualidade do troço de auto-estrada de remendos  que tenho de fazer, resta-me suspirar e aguardar pelo alinhamento dos astros com a vontade do marido. 

Nota 1: espero não vir a sofrer represálias pelo teor deste post, do género só ter a mota lavada daqui a um ano, mas pelo sim pelo não, devo dizer que tudo o que escrevo aqui é pura ficção, qualquer semelhança com a realidade blá-blá-blá, blá-blá-blá... já sabem, não é?

Nota 2: Ah!  Já agora...Não sei se tiveram saudades nossas, mas os senhores do Sapo  tiveram e saudaram o nosso regresso com um destaque.

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E eu fico feliz e agradecida, porque se escrevo é para que me leiam. 

Boas curvas!

24
Jul19

Agustina, os blogs e as motas

Dora Sofia

Foi um ano difícil. Sim, foi. Chega ao fim.  Não espero por dezembro. O final do ano é quando uma mulher quiser. E decido que é hoje o final.  Um ano de percalços tortos, inesperados, e sobressaltos. Mas, também, de desafios tão bons, preenchidos de gente maravilhosa. Desafios de me descobrir a fazer algo de que cada vez gosto mais.

E por entre os desafios e os caminhos tortos, a minha mota. Ainda a mais linda do mundo. 

Os blogs ficaram para trás, entre tempos sem tempo, e a escrita... bem, a escrita rendeu-se ao necessário, ao formal e académico. 

Felizmente, o ano chegou ao fim. E felizmente sobram à  morte de Agustina as suas palavras:

"fim - o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa."

Que seja! 

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Boas curvas!

 

23
Mai18

As saudades que eu tinha...

Dora Sofia

A Branquinha II regressou. E, com ela, as fugas aos dias sem tempo. 

Não importa.  Não. Não importa tanto assim, que ande 200 ou 20. Prefiro 200, mas estes 20, aqui nos meus caminhos, na minha serra encantada, que me enche de luz e sol, são a promessa de muitos 200 que se aproximam.  

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Vou saboreando curvas e contracurvas, reatando esta relação com a Branquinha. Entendemo-nos bem.  Eu gosto dela e, às vezes, muitas vezes, parece-me que é a mota perfeita para mim.  Pelo menos hoje, ainda, é. 

Mas sou GS.  Caminho e estrada. Terra e alcatrão. Vontade e razão. 

Não sou motociclista de tarde de verão, de café de domingo. Sou motociclista porque gosto. Sempre. Se chove e se faz sol, se tenho de ir às compras ou à praia, se subo a serra ou desço à escola. 

Por isso, a insatisfação. Não, não é insatisfação; é um quero mais, é um daqui a uns tempos... 😉

 

 

Boas curvas!

 

19
Mai18

Estamos de volta!

Dora Sofia

 Voltámos a casa.  E, pelo caminho, a mesma vontade de correr mundo.  

A minha D. Branquinha II precisou de umas intervenções... nada de preocupante, é verdade, mas durou o tempo de uma eternidade, e houve raiva, e lágrimas, e ameaças de divórcio... sim, sim, porque o homem da casa caiu na insensatez de a levar à oficina e a deixar lá.  Imagine-se! 3 semanas de separação forçada que só tiveram fim, estou certa disso, porque o ameacei de que se não tivesse rapidamente a minha mota seria obrigada a andar na dele. Foi quando ele percebeu que talvez, talvez estivesse na hora de apressar o mecânico. 

Assim, à medida que vamos deixando para trás os esboços da cidade do Porto, largo ao vento as preocupações das últimas semanas. O trabalho acumulado naquela dor irritante debaixo do pescoço desliza ao ritmo dos quilómetros. 

Paramos para um peixe grelhado na Costa Nova.  As casas riscadas de cores brilhantes convidam a um restaurante típico, onde há Toni Carreira na rádio e balanças antigas ao balcão. Sabe bem o sol ainda tímido no rosto. 

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É sempre nestes momentos, em que pego de novo na minhas mota, depois de alguns dias (demais!) de ausência, que me questiono: como consegui viver tanto tempo sem andar de mota? Sem ser dona da minha vontade? Sem espaço para esta liberdade rebelde?

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Por isso, volto aqui.  Volto à escrita dos caminhos.  Só porque sim. Só porque me pedem. Só porque me sabe bem. 

E porque aqui, nas minhas palavras, sinto de novo outro vento nas ideias. 

 

Boas curvas!

11
Abr17

Road Miles Chalenge: 300 milhas de emoções!

Dora Sofia

Fomos ao Road Miles - Motorcycle RoadBook Challenge.

Não resistimos à provocação. Desafio, superação, e um percurso cheiinho de belas paisagens eram atrativos mais do que suficientes para nos convencerem, e, por isso, quando ele acenou com o convite, ou eu, já não sei bem, antes que o outro dissesse que sim, já estávamos inscritos...

Só depois reparei que o evento estava direcionado para a vertente moto turística de aventura. Bem, a minha Branquinha não é bem o que se pode considerar uma moto turística de aventura, mas aventureira, ela é, e gosta de rolar, por isso, à chegada... o costume! Uma pequena entre grandes. O marido diz que ela é como o papagaio dos 102 dálmatas que estava convencido que era um cão e gritava :"Sou um rotweiler! Sou um rotweiler!". A minha Branquinha também deve julgar que é grande: "Sou uma big trail! sou uma big trail!" 

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O Road Miles foi uma montanha russa de emoções. Não pelos quilómetros percorridos (já o ano passado tínhamos feito os 700 de uma das etapas do Portugal de lés-a-lés), mas pelo espírito de ultrapassar aquelas curvas (eu e as curvas em descidas, e a velocidade...) e chegar ao fim e continuar, ainda, a gostar de andar de mota. Gosto. Ainda!

A nossa base, e ponto de encontro, era o Hotel dos Templários, em Tomar (sim, sim, nem só de poeira e tendas de campismo vive um motociclista!). Cada um de nós seguiu pelo caminho mais longo, porque a logística familiar obriga a estes desvios de fazer sempre mais umas centenas de quilómetros. Mas, chegados, houve tempo para um mergulhinho na piscina, um jantarzinho a namorar, uma cerveja nas ruas de Tomar, que estava em festa, mesmo antes do briefing, onde a Organização (nota 10!!) nos acenou com um passeio repleto de boas curvas!

Na hora de partir, o sol começava a brilhar lá atrás e prometia-nos um dia maravilhoso! Nós agarrámos a deixa, e deixámo-nos levar guiados por ele e pelo RoadBook.

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O percurso foi, como anunciado, marcado por lugares bonitos, para ver, conhecer, visitar. De Tomar a Tomar, pela Nazaré, S. Martinho do Porto, Alcobaça, Chamusca, Serra de Aires e Candeeiros, Olhos de Água , Mação, Oleiros, Dornes... Mas os quilómetros pela frente não nos deixavam descuidar; bem, os quilómetros e o rapaz da GSA que vai à minha frente e que me deixa de cabelos em pé, porque acha sempre que passa muito tempo à minha espera. Ainda assim, consegui enganá-lo nas primeiras paragens e tirar umas fotografias.

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Lugares cheios de história e com muitas histórias com gente lá dentro. Gente que vamos conhecendo, gente com quem nos identificamos, nisto e naquilo, e com quem temos sempre em comum a paixão pelas motas.

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A paragem em Oleiros, na praia fluvial, onde fomos tão bem recebidos, deu para recarregar energias, mas à medida que o desafio avançava sentia-me mais cansada e fui percebendo que talvez estivesse apenas a ser egoísta por querer fazer equipa com o meu amor grande. Foi uma visão nova destes eventos! Afinal, se é verdade que eu o consigo acompanhar, só o consigo fazer porque ele vai muuuiiiito mais devagar do que o que decerto gostaria, por outro lado, ele segue à frente, mas com uma constante preocupação de que eu venha logo ali atrás, e, depois, bem, depois, eu quero que ele se divirta! E, no final, à chegada ao Hotel não lhe disse as palavras do costume "voltamos outra vez no próximo!", mas antes "tens de começar a vir sozinho!". Ele olhou para mim com aquele ar de "estás doida!" e disse-me " mas eu quero vir contigo! Eu gosto de vir contigo!"

E pronto! Tentei não pensar mais no assunto, porque, depois de 500 quilómetros de estrada, sabe mesmo, mesmo bem, chegares ao Hotel, beberes um gin, e ouvires o pianista tocar uma música agradável, enquanto respiras um pouco, e antecipas o teu banho demorado e um jantar em boa companhia.

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Mas as emoções não ficariam por ali. No dia seguinte eu lembrei-o que talvez a minha inexperiência não pudesse fazer equipa com os anos que ele tem a andar de mota. Talvez a vontade não fosse suficiente. E ele repondeu que não, não era isso. Faltava-me dar o salto. Só isso. 

Íamos receber os certificados. A organização tinha uns prémios para os três mais regulares a cumprir as 300 e as 500 milhas, e eu pensava naquilo que ele me dissera. Afinal, era fácil, se só tinha de melhorar, só precisava mesmo era de... andar de mota 

Vemos a lista de classificação. Não ficámos em primeiro (o que seria impossível, com o número de vezes que ele voltou para trás), mas não ficámos em último ( o que também era improvável, uma vez que era suposto cumprirmos os limites de velocidade e nisso estava lá eu para ajudar...); aliás ficámos antes do meio da tabela, o que não é nada nada mau. 

Depois, veio a surpresa! "E temos aqui uma lembrancinha para a Dora, que foi a única senhora a terminar o Road Miles!"

A sério?!! Sabem lá o que umas palavrinhas destas fazem ao ego ferido de uma motociclista? Sim, sim, porque se eu estava um pouco desalentada por não conseguir acompanhar o marido nestas voltas de mota, e estas palavrinhas devolveram-me a vontade. Aquela vontade de ir mais longe, fazer melhor, desafiar-me! 

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O prémio foi bom, mas o melhor foi este reconhecimento. Obrigada! Obrigada! Aos organizadores, pelo miminho; aos patrocinadores, que contribuíram com os prémios (e que recheada vinha a mochila da WB-40!!) e... claro! ao rapaz da GSA, que tem uma paciência incomensurável à minha espera, que me serve de guia, e que, quando eu falho (quase nunca, quase nunca!), em vez de me dizer "desiste", me diz "tu és capaz!". 

Voltamos outra vez no próximo!

Boas curvas!

 

 

 

 

 

 

 

24
Mar17

A mente de uma motociclista

Dora Sofia

Apetece-me andar de mota. Apetece-me sempre. Mas hoje apetece-me mais ainda. Está tanto frio. O equipamento é bom. Tenho o relatório para fazer. Só se fosse só um bocadinho. E tenho a avaliação do miúdo para acabar. Ia só beber café. E a roupa para passar. Ainda tenho uma hora antes da miúda chegar. Tenho a certeza que vai chover. Levo o fato. Aquela nuvem está mesmo escura. Vai chover. Vou só beber café. A lareira faz-me olhinhos. Visto o fato. Saio. Ah! Hum! Ainda bem que resolvi dar uma volta. Devia parar no café. Agora já estou preparada e quentinha. Sigo mais um pouco. Vai chover. Agora tenho a certeza. Fiz bem em ter vindo. Os primeiros pingos. Devia voltar para trás. Vou só até à próxima curva. Depois desta. Visto o impermeável. Depois da próxima volto para casa. Adoro andar assim. Sem ninguém pelas estradas. A chuva e o frio lá fora e eu tão quentinha dentro do capacete. Ups! A sério que já passou uma hora? Tenho de voltar... Chove imenso, agora. Quem não anda de mota à chuva, não gosta assim tanto de andar de mota. Eu, por mim, fazia a N2 debaixo de água (outra vez 😉). Sim, há uma grande dose de loucura, digo, paixão nesta coisa de andar de mota

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30
Dez16

De volta às motas... a dois!

Dora Sofia

O homem da casa esteve retirado das motas... foi uma longa quarentena em que a única coisa permitida foi mesmo ouvir música... e eu?! Bem, eu também tive de reduzir as minhas voltinhas... afinal, não consigo levar os dois miúdos lá atrás. Portanto, assim que a médica disse que ele podia retomar a vida normal, ele olhou para mim, eu olhei para ele, e ele perguntou: e andar de mota?? A médica riu-se e descansou-nos: pode sim, mas com uns bons óculos, uma boa viseira e cuidado com o vento!! Era o que queríamos ouvir. Saímos do hospital e seguimos para Fátima, porque a fé é assim mesmo, o coração cheio de esperança, cheio de vontade de partilhar bons momentos, bons sentimentos. E, claro, pelo caminho, paragem em Porto de Mós, porque tínhamo-nos prometido o Castelo desde o passeio da bênção dos capacetes e porque gostamos de ver tudo, ver-ver, de passar e conhecer, de parar para sentir o cheiro, o sabor, a história. E o rapaz aproveita sempre para falar do tempo e eu fico ali a ouvir falar do tempo e qualquer dia também já sei falar do tempo...

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E depois fomos ao Santuário. Só porque sim.

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