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De capacete e batom

De capacete e batom

21
Mar16

Com a cabeça cheia de vento

Dora Sofia

Está a chover. A primavera chegou repleta de água e, entre os miúdos "fechados" em casa, os relatórios e avaliações para terminar, a antevisão das mil e uma coisas que tenho para fazer na próxima semana, sinto-me a deprimir... Não posso andar de mota! Não posso andar de mota! Não posso andar de mota...

Dou por mim, no carro, a inclinar-me nas curvas,  a fazer contas aos minutos que me sobram entre atividades, a ir à garagem ligar-lhe o motor só porque sim... São sinais de dependência que não consigo controlar.

Uma amiga diz-me que quando ando de mota fico com a cabeça cheia de vento. Talvez. Talvez, às vezes, muitas vezes, seja bom ter a cabeça cheia de vento. Deixar que as palavras que ouvimos, as palavras que dissemos e as palavras que calámos se misturem com o vento.

 Andar de mota apazigua-me a alma. Escrever sobre andar de mota apazigua-me as palavras que me atormentam a alma. 

E, se ao fim de um dia de trabalho árduo, em que és obrigada a pôr a tua máscara de "olhem-para-mim-tão-querida-e-simpática-a-fazer-uma-coisa-de-que-gosto" (quando eu gosto é de ensinar e não de fazer aquelas outras trezentas mil tretas que os professores têm de fazer), quando pensas que o dia não pode ficar pior, te cruzas com alguém com quem discutes porque ainda (e sempre!) te bates pelo teu direito de questionar as coisas que te mandam fazer e às quais não encontras sentido, e pegas na mota para mais nada que não seja ficar com a cabeça cheia de vento, se, então, descobres uma realidade que esteve sempre ali e que tu nunca viste, de novo as palavras brincam contigo e enchem-se de vento "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. (livro dos conselhos)", in Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

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Boas curvas!

 

18
Mar16

I'm not a blogger

Dora Sofia

O de capacete e batom foi destaque nos recortes do sapo. Obrigada! Obrigada! Obrigada! Aos leitores do Sapo, aos outros e àquelas pessoas que me incentivam a não deixar de fazer aquilo de que gosto: escrever e... andar de mota!

Se estou contente, orgulhosa, vaidosa? Sim estou. Se isso faz de mim uma blogger? Não, gente! Não sou uma blogger. Blogger é pessoa com tempo, com escrita certa na hora marcada. Blogger é pessoa que navega, e cusca, e comenta, outros blogs, outros sites, outras ideias. Eu, não. Lamento...

Sou só uma rapariga atormentada pelo espírito frenético das palavras que há em mim e com os dedos hiperativos para a escrita. Para além disso, nada mais que não seja apenas paixão! Boas curvas!

 

 

16
Mar16

O dia em que fui às compras...e gostei!

Dora Sofia

Não gosto de ir às compras. Aliás, ir às compras está no meu top de "coisas que detesto-evito-e-só-faço-quando-sou-obrigada" Mais um pequeno contributo para a minha incapacidade para falar sobre o tempo. Vocês imaginam lá as conversas que é possível ter quando se gosta de ir às compras? Pois... eu não gosto!

Mas desta vez foi diferente. Fui às compras de mota.

Aproveitei umas curvas, encarei uma rotundas de cidade e estacionamentos (está melhor, mas não está bom!) e entrei na loja de motas munida de capacete no braço tal como cowboy de pistola na ponta dos dedos... Os clientes, que por lá paravam, olharam para mim e desviaram, imediatamente, o olhar para a porta... O costume! Aguardam o condutor.

Avancei com passos firmes, bem, avancei com passos tão firmes como os que é possível ter quando estás vestida à astronauta, e segui até ao balcão. Depis, vejo pelo canto do olho a cena que se repete, igual a todas as outras vezes em que ando sozinha e páro em algum lado.  A espera pelo condutor, a espreitadela, mal disfarçada, pela janela para ver qual é a minha mota, o olhar outra vez para mim... E, pronto, não é uma gs, ainda!, mas dá para o meu sorrisinho interior. 

Pedi o que tinha para pedir e comprei um "apetrecho" para a Branquinha. Foi fácil comprar. Tinha mesmo de comprar. Eu sei que os defensores das naked dizem que os vidros lhes assentam mal, que estragam a estética e não sei o quê... para mim, está ótima assim: já consigo passar dos 120, sem ficar com um ombro deslocado, e, se eu me esforçar muito, MUITO, MUITO, até fica mais parecida com uma GS!

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Boas curvas!

14
Mar16

Desafia-te!

Dora Sofia

Gosto de me desafiar. Não consigo imaginar-me sem constantemente me desafiar a ir, a fazer, a conseguir.

Ou não! E, então, voltar atrás e desafiar-me. Outra vez.

Não tenho pressa, vou vendo o que sou capaz de fazer, até aonde consigo ir. E consigo ir sempre um bocadinho mais longe. 

Dizem os entendidos, e eles abundam por cá!, que tenho de fazer, pelo menos, 10000 km antes de me aventurar no Lés-a-Lés. Têm razão, os entendidos! Por isso, faço sempre mais um kilómetro do que o que está previsto. Vou mais longe. Até depois da próxima curva...

Vou devagar. Não tenho pressas. O prazer está no caminho, não no destino.

 

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O que eu tenho aprendido? 

Aprendi que há condutores de carros que julgam que as motas têm asas e que se atravessam no teu caminho; aprendi que o melhor sítio para estacionar é à porta do sítio aonde queres ir, e, sim, já aprendi a subir os passeios; aprendi que a trança é a minha melhor amiga, quando ando de mota, primeiro, porque evita que chegues a casa e corras para uma qualquer tesoura que te permita desembaraçares-te do nó em todos os teus cabelos se tranformaram, segundo, porque, se fores de cabelo escondido, ninguém percebe muito bem que és mulher e, por isso, ninguém está à espera que faças alguma coisa para além do que estás a fazer (ou que te chegues para o lado, ou que andes mais depressa, ou que não ponhas o pé no chão, ou que ponhas o pé no chão... uma treta!). 

Bem, na verdade, também estou a aprender a andar de mota. Só se aprende , andando, e eu aproveito todas as hipóteses para andar. Aprendi que do difícil ao impossível há uma longa distância e, principalmente, tenho aprendido que a dois essa distância é cada vez mais curta. É sempre o meu ele, o meu amor ,que me indica o caminho. Depois, é comigo...

Desafio-me! 

A maior parte das vezes, nós somos os nossos maiores obstáculos...

 

Boas curvas!

 

 

 

03
Mar16

Paixão #2

Dora Sofia

Naquele momento em que, depois de dias e dias a contar as horas sem andar, porque está a chover, ou os miúdos, ou o trabalho, ou a tempestade, ou os horários, e dás por ti a fincar os pés em qualquer passeio sempre que ouves uma mota e, sim, sentes inveja, e percebes que arranjaste mil desculpas para a tirar da garagem, ah! esqueci-me do pão, ah! tenho de ir levantar dinheiro, e nenhuma desculpa serviu, porque está a chover, ou os miúdos, ou o trabalho, ou a tempestade, ou os horários, e chegas a casa, e hoje é que vai ser!, e o raio do vento sopra desalmadamente, e desanimas, e sentas-te a olhar para ela, como se estivesse tudo errado na tua vida, e depois mandas tudo ao ar e vais só ali ao lado pôr gasolina (50 km é mesmo ali ao lado...) pensas que és bem capaz de estar viciada nisto.

Boas curvas!

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