Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De capacete e batom

De capacete e batom

20
Set16

Vestida para matar... estrada!!

Dora Sofia

Visto o casaco. Faço uma trança apressada, ou, no limite, prendo o cabelo com dois elásticos. Debaixo do casaco, a blusa de cetim revela o dia de trabalho. Debaixo do capacete, o batom define o prazer de ser mulher.

E sigo. Se é um dia bom, consigo fazer um desvio de meia dúzia de kilómetros, só para ir ali ao lado passear as ideias... antes ou depois do trabalho... antes ou depois do supermercado... antes ou depois do ginásio...

IMG_20160805_185159.jpg

 

Não encontro desculpas para não andar de mota: a roupa certa protege-me do frio, do calor, do vento, da chuva, dos rails...

Sim, eu sei que há quem imagine que, se sou mulher, e se ando de mota, então, visto-me assim:

2.jpegimagem daqui

 

 

Errado! Muito errado.

Para andar de mota, não uso "stilettos", não ponho uma saia, não escolho calções. Quem anda de mota, sabe bem porquê. Usar "stilettos" tornaria a utilização dos pedais tão facilitada como se tivéssemos patas de elefantes; já quanto ao resto, sei por experiência que umas calças com proteção podem garantir uns quantos cortes a menos na pele e, até no calor, o melhor é seguir o lema "mais vale suar do que sangrar!"

Não vou deixar de ser quem sou, porque ando de mota. Também não vou deixar de me vestir como gosto, porque ando de mota.

Mas também não tenho de vestir-me assim:

anatomia do motard.jpgimagem daqui

Debaixo do casaco esconde-se a roupa que eu quiser:  uma camisola mais informal, uma blusa para a escola, uma t-shirt para o ginásio... 

20160805_151648.jpg

IMG_20160913_134519.jpg

 

 

Posso até vestir-me como a Skinny , mas noutra cor. Pode ser? 

Skinny_27.jpgimagem daqui 

E, já agora, com outro "ursinho". Pode ser? Pode? Pode?...

 

 

20160805_165151.jpg

 

Boas curvas! 

21
Mar16

Com a cabeça cheia de vento

Dora Sofia

Está a chover. A primavera chegou repleta de água e, entre os miúdos "fechados" em casa, os relatórios e avaliações para terminar, a antevisão das mil e uma coisas que tenho para fazer na próxima semana, sinto-me a deprimir... Não posso andar de mota! Não posso andar de mota! Não posso andar de mota...

Dou por mim, no carro, a inclinar-me nas curvas,  a fazer contas aos minutos que me sobram entre atividades, a ir à garagem ligar-lhe o motor só porque sim... São sinais de dependência que não consigo controlar.

Uma amiga diz-me que quando ando de mota fico com a cabeça cheia de vento. Talvez. Talvez, às vezes, muitas vezes, seja bom ter a cabeça cheia de vento. Deixar que as palavras que ouvimos, as palavras que dissemos e as palavras que calámos se misturem com o vento.

 Andar de mota apazigua-me a alma. Escrever sobre andar de mota apazigua-me as palavras que me atormentam a alma. 

E, se ao fim de um dia de trabalho árduo, em que és obrigada a pôr a tua máscara de "olhem-para-mim-tão-querida-e-simpática-a-fazer-uma-coisa-de-que-gosto" (quando eu gosto é de ensinar e não de fazer aquelas outras trezentas mil tretas que os professores têm de fazer), quando pensas que o dia não pode ficar pior, te cruzas com alguém com quem discutes porque ainda (e sempre!) te bates pelo teu direito de questionar as coisas que te mandam fazer e às quais não encontras sentido, e pegas na mota para mais nada que não seja ficar com a cabeça cheia de vento, se, então, descobres uma realidade que esteve sempre ali e que tu nunca viste, de novo as palavras brincam contigo e enchem-se de vento "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. (livro dos conselhos)", in Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

IMG_20160317_162710.jpgIMG_20160317_162902.jpg

IMG_20160317_164017.jpgIMG_20160317_163154.jpg

IMG_20160317_163508.jpg

 

 

 

 

Boas curvas!

 

19
Jan16

Os caminhos incompletos - parte 1

Dora Sofia

Andar de mota é sempre uma surpresa boa. Aprendes a aceitar o que te revela cada curva como uma aventura, com o olhar surpreendido de quem vê tudo pela primeira vez. O planeado não é o planeado, e o caminho pode nunca ser o que traçaste. O caminho oferece-te as possibilidades de uma vida: viras à esquerda mesmo quando planearas virar à direita, voltas atrás, paras, recomeças, traças um novo caminho…são os caminhos que fazem da tua vida uma viagem.

Desta vez o caminho far-se-ia pela costa, de Nazaré a Peniche, para enchermos os olhos de mar.

IMG_20160118_125250.jpg

IMG_20160118_125240.jpg

 

 Na Nazaré, procurávamos um restaurante, enquanto apreciávamos o mar calmo lá em baixo, a antecipar desejos de verão.

A vontade pedia-nos peixe, mas o dia era cruel. Segunda-feira de chuva não é dia de passeios de mota, não é dia de restaurantes abertos, não é dia de peixe fresco. Porém, há muito que descobrimos que os dias certos são só os dias que escolhemos para nós e que bebemos até à última gota.

IMG_7109.JPGIMG_7117.JPG

Estacionamos para espreitar o mar e um cantinho de restaurante encontra-nos, por acaso, e acena-nos com um menu repleto de peixe. Não hesitamos. Tem tudo o que queremos: as motas debaixo dos nossos olhos, paradas na esplanada e, pelo menos, oito pratos diferentes de peixe.

Lá dentro há meia dúzia de mesas cobertas por toalhas improvisadas, há gente que parece estar em casa, e temo ver chegar alguém em pijama, ouve-se música pimba da rádio local e os pratos de peixe são, afinal, um robalo. Único. Fresquinho! – garantem-nos – pescado por aquele rapaz ali. E o rapaz acena a confirmar que sim.

Não há cerimónias. Nem legumes. Há batatas e um robalo grelhado. Os donos da “casa” sentam-se na mesa ao lado a almoçar, enquanto comentam as notícias. Houve cheias em Coimbra. Não percebem… se o mosteiro é na parte alta. O meu marido agarra o isco (agarra-os sempre) e explica. Aquele é o mosteiro velho, não o novo.

E pronto. A licença para a conversa fica concedida. Perguntam-nos de onde somos e, nós, como sempre, atrapalhamo-nos, somos daqui e dali, um pouco de todo o lado, um pouco de lado nenhum. Mas é o suficiente para entabular conversa. Não eu! Já disse que não sei falar do tempo, mas ele ocupa-se dessas artes sociais como ninguém.

Ficamos a saber que a Nazaré já não é a Nazaré das sete saias, mas é, agora, a Nazaré do McNamara. Vêm para aí- dizem – e perguntam-nos aonde é a onda. Vejam só, aonde é a onda! Ondas sempre houve. Há anos que vejo ondas nesta terra e eles agora vêm para aí à procura da onda. Tudo muito bem. Está tudo muito bem. Não se importam com as enchentes de turistas, olheiros, surfistas e staff de apoio, nos dias em que põem lá no facebook que é dia de ondas, mas gostariam de saber quem há de pagar o Centro de Alto Rendimento de Surf. Não quem o pagou, mas quem é que ainda o há de pagar.

Além disso, confessa-nos em surdina, não acredita no tamanho da onda. 50 metros? Não pode ser, caramba! Isso entrava pela terra adentro. A mulher insurge-se, então. Não lhe liguem, ele só fala assim porque não é de cá… E ele: mas vivo cá há 30 anos e já tomei muitas vezes banho naquelas águas… Mas não é a mesma coisa, remata ela, enquanto se levanta a fechar a conversa. Se fosses, não dizias isso… Ele encolhe os ombros e lança um olhar de cumplicidade ao meu marido ao que este responde com um sorriso compreensivo. Parou de chover, digo eu, mas sou ignorada por todos, para que não possa esquecer que não sei falar do tempo.

Oferece-nos uma ginjinha de Alcobaça. Ainda estou a tentar recusar, quando percebo que não era uma pergunta. Já temos a garrafa na mesa. É por conta da casa! - lembra -  como se, por isso, não fosse possível recusar.

E ainda bem! A ginja era ótima, as pessoas deliciosas e poderíamos ter ficado ali a tarde toda a ouvir as histórias daquelas gentes, mas tínhamo-nos prometido outras ondas. Depois do Farolim da Nazaré, seguimos para S. Martinho do Porto, para percebermos que, afinal,  uma das coisas boas de andar de mota é quebrar promessas…

IMG_7123.JPG

IMG_7145.JPG

 Boas Curvas!

03
Jan16

Entre curvas: do Oeste à Beira Baixa

Dora Sofia

O dia estava carregado de promessas: estava garantido o tempo necessário de viagem sem chuva ou vento; os miúdos entregues aos avós; o roadbook elaborado; o óleo na corrente (ups!!)... e o sol a brilhar!

 

Mas, como sempre, do outro lado da montanha, nada é como parece ser. Ao fim da meia dúzia de quilómetros que nos separa do cume da Serra de Montejunto, o nevoeiro instalou-se a ensombrar a primeira parte da viagem. Em Santarém pouco vimos, mas fica a vontade de voltar, as casas anunciam-se glamorosas e as ruas repletas de coisas para descobrir. Perdemo-nos no nevoeiro e as portas do sol encontraram-nos por acaso, mas do sol nada! apenas portas... do nevoeiro...

IMG_6332.JPG

IMG_6335 - Cópia.JPG

 

IMG_6340 - Cópia.JPG

 

 

Já em Almourol, o sol espreitou por minutos. O tempo suficiente para um cházinho na esplanada e umas fotografias...

IMG_6410 - Cópia.JPG

IMG_6372.JPG

 

 

Era preciso continuar. A fome levou-nos até ao "Pezinhos no Rio" em Constância, uma esplanada sobre o rio, com um bom bife e um preço bastante em conta, se considerarmos a localização maravilhosa ,e onde o rapaz que nos atendeu fez questão de salientar "sou  um rapaz simpático, mas a inteligência não é o meu forte" e nós concordámos, pois se o fosse ele não diria tal pérola. De notar: os gatos! há mil gatos a passear pelas ruas e, claro, há Camões!

IMG_6437 - Cópia.JPG

 

Próxima paragem: Vila de Rei, Centro Geodésico de Portugal. Não era uma primeira vez, mas de mota, já o disse, tudo é uma primeira vez. descer aquela estradinha, cheia de gravilha e caruma, com umas quantas curvinhas acentuadas foi uma novidade. Acho que, tal como qualquer motard, se os houvesse a assumirem a sua inexperiência, ao contrário do "a descer todos os santos ajudam", a minha grande aventura são as descidas com curvas... Mas em breve viria a perceber como é que a coisa se faz, se não fosse pelas explicações e conselhos detalhados do meu PMT (personal motorcycle trainer) seria pela quantidade de curvas que o trajeto seguinte impunha. 

IMG_6462 - Cópia.JPG

 

A ideia era dormirmos numa aldeia perdida entre montes e montanhas do concelho de Oleiros, onde residem habitualmente meia dúzia de habitantes, e cujo caminho para lá se carateriza pela emblemática resposta à questão "O que é que há na Urraca a seguir a uma curva? Outra curva!!!"

 

20151230_101751.jpg20151230_101805.jpg

20151229_171609.jpg

 

 

 

 

 

A Urraca é uma aldeia onde ainda encontramos algumas casinhas em pedras, mas muito poucas; a migração dos habitantes para outras terras levou-os a reconstruir e construir casas sem a manutenção das caraterísticas originais. Em contrapartida, as pessoas continuam bem originais e a nossa chegada é sempre um acontecimento, quer tenhas lá estado há dois anos ou há dois dias atrás. Os habitantes (muito poucos!) abrem-te as portas de casa e tens de beber, e tens de comer, e tens de conversar, mesmo!, porque rede de internet só há em esquinas fugidias e o televisor, nos dias em que há visitantes (nós!), é um móvel decorativo para colocar naperons de croché e fotografias antigas.

IMG_6495.JPGIMG_6475 - Cópia.JPG

Já do caminho de regresso pouco há a contar. A chuva afirmou-se como companheira desde o início e eu percebi que, se não me incomodava particularmente com ela enquanto pendura, como condutora  o discurso não é o mesmo... A meio do caminho optámos pela auto-estrada e aí também não fiquei fã. Andar um pouco mais depressa com a minha Branquinha é um verdadeiro exercício de força de braços, peito, pescoço... 

Foi a minha primeira longa viagem. Tenho a certeza que será a primeira de muitas, porque a vontade tem espírito indomável!!

 

Boas curvas!

 

 

 

04
Dez15

Hoje não é esse dia

Dora Sofia

15 dias (muitas curvas e alguns quilómetros) depois, a vontade continua inalterada. Aprende-se a andar de mota, andando, e é isso que tenho feito. Tenho aprendido a andar de mota. E isso é bom. É muito bom. 

 

Aprendi que as luvas são umas ótimas aliadas, que os punhos aquecidos são milagrosos e que, quanto mais andas, mais te apetece andar.

IMG_20151204_161820.jpg

 

 

 

Aprendi que dois motociclistas é melhor do que um.

IMG_5226.JPG

IMG_5257.JPG

 

 

 

Aprendi que os camiões são mesmo grandes, quero dizer, são mesmo enormes quando estão ao teu lado e não há nada a separar-te deles... Aprendi que aquilo que se vê a andar de carro não é aquilo que se vive a andar de mota, pois passas pelas coisas, pelas árvores, pelas terras e pelos caminhos, como se os vivesses.

IMG_20151204_161845.jpgIMG_5209.JPG

 

Aprendi que aquele momento em que chegas ao fim do caminho (que, afinal, e felizmente, nunca é o fim do teu caminho) e em que tiras o capacete, te sentes maravilhosa e agradeces ao vento por te ter despenteado e agradeces ao sol aquecer-te as faces arrefecidas pelo vento.

 

IMG_5378.JPGIMG_5371.JPG

Sim, talvez haja um dia em que eu não vou ter vontade de andar de mota, mas hoje não é esse dia!IMG_20151204_161923.jpg

 

Boas curvas!

20
Nov15

Dia de treino #2

Dora Sofia

 

 

 

E no fim de uma hora de mototerapia ficas a saber que precisas de comprar umas luvas, porque o sol a brilhar não te aquece os dedos, quando o vento passa por eles veloz; ficas a saber que os cães gostam de correr atrás das motas, e que tens de ter coragem para não te desviares deles (mas sem os atropelares...). Para além disso, o Oeste é muito bom para andar de mota. Há montes, montanhas, paisagens maravilhosas e... curvas, muitas curvas!!

IMG_20151120_164255.jpg

Boas curvas!

13
Nov15

Dia de treino #1

Dora Sofia

É certo que, depois de tantos anos sem conduzir uma mota, quase se impõe voltar a tirar a carta. Aprender tudo outra vez. Bem, quase tudo, porque o sabor da excitação ainda não se esqueceu.

Ainda assim, que eu sou apaixonada, mas não sou louca, paguei uma horitas de condução para reavivar a memória e dei umas voltinhas na velha vespa... Ainda assim, a minha mota é mesmo uma mota e, como tal, é uma bichinha cheia de força e energia, por isso, obrigo-me a dar umas voltas caseiras, antes de enfrentarmos o mundo.

Ainda estamos na nossa zona de conforto, mas com o bjetivo traçado: 18º Portugal de Lés-a-Lés!! Bem sei que não é para meninas, mas temos até 10 de junho...

 

No meu primeiro dia de treino aprendi duas coisas muito importantes: primeiro, tenho de ter cuidado com as viragens em planos inclinados; segundo, preciso de aprender a levantar a mota sem ter de pedir ajuda ao ti Zé da vinha ao lado do plano inclinado!!

 

IMG_20151113_155411.jpg

IMG_20151113_155450.jpg

 

Boas curvas!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D