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De capacete e batom

De capacete e batom

05
Fev16

Milu... de Óbidos a S.Martinho

Dora Sofia

Todas as desculpas são boas para andar de mota, mas a melhor desculpa é quando saímos para nos juntarmos a outra mota. Há uma vontade maior para chegar e uma cumplicidade excecional no caminho que fazemos juntos.

Ouço o sino a lembrar-me o correr apressado das horas. Devia marcar cabeleireiro. As raízes brancas tomam de assalto o espelho e os outros não conseguem disfarçar os olhares fugidios, a que vou reagindo com a indiferença de quem faz de propósito, porque é Carnaval...

Ainda assim devia marcar cabeleireiro.  Pego no telemóvel, mas a vontade está indomável.

Mando um sms: encontramo-nos em S. Martinho.

A história repete-se, portanto. Esqueço o cabeleireiro e opto, ainda, pelo que me despenteia. Saio, de capacete e batom.

A primeira paragem faz-se no Sr. da Pedra. Aqui tão pertinho. Mil vezes aqui passei, dizendo-me que tinha de parar. Foi hoje o dia. Um santuário magnífico:

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Almoçamos sozinhas, eu e aminha Branquinha Milu,  na Foz do Arelho, quase a mais bela praia do mundo.

Prefiro-a assim: deserta, calma, imensa...

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Sigo caminho à beira-mar.

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A estrada é fantástica com pedaços de mar a cortar as vistas

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Cruzo-me com um motard numa chopper e ele levanta-me os dedos.

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Respondo, também. É a primeira vez que o faço, como motociclista, e, sem querer, sinto um sorriso parvo na cara. Então é esta a sensação???!! Depois sigo em direção a Salir do Porto. Não conheço a zona e julgo que dali poderei seguir até S.Martinho. Não posso. E ainda bem! Chego a um ponto sem saída e sou obrigada a voltar para trás, mas, antes, tenho tempo para uma pausa, um passeio a pé, umas fotos e a certeza que não me enganei no caminho. Era mesmo esta a direção que devia ter tomado para poder apreciar este pedaço de beleza.

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Por fim, S. Martinho do Porto.

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E o encontro dos amantes clandestinos.

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Boas curvas!

01
Fev16

Os caminhos incompletos - parte 2

Dora Sofia

 

As viagens são, assim, inesperadas. Não sabemos o que nos espera depois da próxima curva, e a única certeza é a de és tu que constróis o teu caminho.

Chegados a S. Martinho, percorremos estradas sem saída, becos particulares e percebemos que, em algum ponto, nos desorientámos. Escolhemos um miradouro para tirarmos umas fotografias, nos situarmos e decidirmos para onde seguir.

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É nesse momento que a GS se torna caprichosa e perde qualquer sinal de vida. Tentamos a Manobra de Heimlich para motas que consiste basicamente em escolher uma descida e empurrar a bichinha por aí abaixo enquanto se fazem todos os esforços para a “desengasgar”. Nada! De seguida, recorremos ao serviço de emergência local, mecânico da terra, que veio munido do kit de Suporte Básico de Vida para motas, ou seja, os cabos de ligação à bateria, mas, mesmo assim, não houve sinal de vida. Fomos obrigados a chamar o pronto socorro que a encaminhou para um especialista da área. 

Deviam ver a cara e o humor do maridão quando empurrou a mota para cima do reboque. Até fiquei com pena do senhor, sujeito a quetionário extenso. A mota vai só assim? Não há nenhum outro sistema? não tem mais correias? Tem a certeza que não vai cair?...

Não queria que fotografasse o momento e, quando me viu de máquina em punho, gritou-me: - Nem penses! Não vais fotografar a minha mota em cima de um reboque. Bem, a má-disposião era tanta que eu até tinha razões para ficar com ciúmes, não fosse o caso de estar mais preocupada com o facto de ter de lhe emprestar a minha mota, para seguirmos viagem. Não que eu quisesse. Não queria. Mas, apesar de me sentir cada vez mais à vontade em cima da Branquinha, não me parece que esse sentimento se mantivesse com um "pendura" de 1,86m e mais de 90kg. Assim, rendi-me às evidências e lá lhe passei a chave.

Ainda assim, consegui registar o momento, primeiro, sem ele saber e, depois, porque lhe garanti que era uma prova em como tínhamos mandado a  mota no reboque...

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 A Branquinha portou-se bem nas mãos do marido, e ele percebeu que quando eu lhe digo que não posso andar a muita velocidade na autoestrada, sob risco de lesionar o pescoço ou deslocar um braço, isso é inteiramente verdade. É uma naked, ponto final. Acho que ela não gosta muito de auto estradas... e eu também não!

Boas curvas!

 

PS: obviamente só agora posso publicar este post, uma vez que a GS já voltou a casa, está bem de saúde e a rolar como deve ser... coisas de homens com motas :-P

19
Jan16

Os caminhos incompletos - parte 1

Dora Sofia

Andar de mota é sempre uma surpresa boa. Aprendes a aceitar o que te revela cada curva como uma aventura, com o olhar surpreendido de quem vê tudo pela primeira vez. O planeado não é o planeado, e o caminho pode nunca ser o que traçaste. O caminho oferece-te as possibilidades de uma vida: viras à esquerda mesmo quando planearas virar à direita, voltas atrás, paras, recomeças, traças um novo caminho…são os caminhos que fazem da tua vida uma viagem.

Desta vez o caminho far-se-ia pela costa, de Nazaré a Peniche, para enchermos os olhos de mar.

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 Na Nazaré, procurávamos um restaurante, enquanto apreciávamos o mar calmo lá em baixo, a antecipar desejos de verão.

A vontade pedia-nos peixe, mas o dia era cruel. Segunda-feira de chuva não é dia de passeios de mota, não é dia de restaurantes abertos, não é dia de peixe fresco. Porém, há muito que descobrimos que os dias certos são só os dias que escolhemos para nós e que bebemos até à última gota.

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Estacionamos para espreitar o mar e um cantinho de restaurante encontra-nos, por acaso, e acena-nos com um menu repleto de peixe. Não hesitamos. Tem tudo o que queremos: as motas debaixo dos nossos olhos, paradas na esplanada e, pelo menos, oito pratos diferentes de peixe.

Lá dentro há meia dúzia de mesas cobertas por toalhas improvisadas, há gente que parece estar em casa, e temo ver chegar alguém em pijama, ouve-se música pimba da rádio local e os pratos de peixe são, afinal, um robalo. Único. Fresquinho! – garantem-nos – pescado por aquele rapaz ali. E o rapaz acena a confirmar que sim.

Não há cerimónias. Nem legumes. Há batatas e um robalo grelhado. Os donos da “casa” sentam-se na mesa ao lado a almoçar, enquanto comentam as notícias. Houve cheias em Coimbra. Não percebem… se o mosteiro é na parte alta. O meu marido agarra o isco (agarra-os sempre) e explica. Aquele é o mosteiro velho, não o novo.

E pronto. A licença para a conversa fica concedida. Perguntam-nos de onde somos e, nós, como sempre, atrapalhamo-nos, somos daqui e dali, um pouco de todo o lado, um pouco de lado nenhum. Mas é o suficiente para entabular conversa. Não eu! Já disse que não sei falar do tempo, mas ele ocupa-se dessas artes sociais como ninguém.

Ficamos a saber que a Nazaré já não é a Nazaré das sete saias, mas é, agora, a Nazaré do McNamara. Vêm para aí- dizem – e perguntam-nos aonde é a onda. Vejam só, aonde é a onda! Ondas sempre houve. Há anos que vejo ondas nesta terra e eles agora vêm para aí à procura da onda. Tudo muito bem. Está tudo muito bem. Não se importam com as enchentes de turistas, olheiros, surfistas e staff de apoio, nos dias em que põem lá no facebook que é dia de ondas, mas gostariam de saber quem há de pagar o Centro de Alto Rendimento de Surf. Não quem o pagou, mas quem é que ainda o há de pagar.

Além disso, confessa-nos em surdina, não acredita no tamanho da onda. 50 metros? Não pode ser, caramba! Isso entrava pela terra adentro. A mulher insurge-se, então. Não lhe liguem, ele só fala assim porque não é de cá… E ele: mas vivo cá há 30 anos e já tomei muitas vezes banho naquelas águas… Mas não é a mesma coisa, remata ela, enquanto se levanta a fechar a conversa. Se fosses, não dizias isso… Ele encolhe os ombros e lança um olhar de cumplicidade ao meu marido ao que este responde com um sorriso compreensivo. Parou de chover, digo eu, mas sou ignorada por todos, para que não possa esquecer que não sei falar do tempo.

Oferece-nos uma ginjinha de Alcobaça. Ainda estou a tentar recusar, quando percebo que não era uma pergunta. Já temos a garrafa na mesa. É por conta da casa! - lembra -  como se, por isso, não fosse possível recusar.

E ainda bem! A ginja era ótima, as pessoas deliciosas e poderíamos ter ficado ali a tarde toda a ouvir as histórias daquelas gentes, mas tínhamo-nos prometido outras ondas. Depois do Farolim da Nazaré, seguimos para S. Martinho do Porto, para percebermos que, afinal,  uma das coisas boas de andar de mota é quebrar promessas…

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 Boas Curvas!

14
Dez15

Falta pouco para 2016...

Dora Sofia

Sempre imaginei que os planos para irmos ao 17.º Portugal de Lés-a-Lés previam acontecimentos bem diferentes. Imagino que o marido, preocupado com esta vontade que ameaçava tomar  tomou conta de mim de querer comprar uma mota, engendrou um plano para me fazer desistir. A ideia era genial: levar-me a uma prova de dois dias, a rolar em estradas nacionais e secundárias, por mais de 1000km, com muita poeira, muito buraco e muitas horas em cima da mota. Já estão a ver o panorama, não é? Se a isto juntarmos as pausas para duas ou três fotografias, as refeições em grupo, dois dedos de boa conversa, histórias e pessoas encantadoras, percebemos que os ingredientes eram mais do que suficientes para me convencer... mas a ter a minha mota!!

Talvez nunca nenhum plano tenha tido um resultado tão oposto quanto este. O que deveria fazer-me desistir, pois até tínhamos combinado que a qualquer momento poderíamos abandonar a prova e voltar para casa ou ficar por ali mesmo, num hotel a apreciar as maravilhas de um SPA, tornou-se num motivo para voltar pelas "minhas próprias rodas". Ah! E pude comprovar que o SPA sabe ainda melhor depois de 750 km de caminho...

Não vai ser fácil, bem sei, mas não é impossível... Em 2016 guio eu!

Algumas imagens apaixonantes:

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Boas curvas! 

 

 

 

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