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De capacete e batom

De capacete e batom

02
Out16

Quantos anos tens?

Dora Sofia

Este mês faço anos. Gosto de fazer anos. Talvez ainda esteja em idade de gostar de fazer anos. Não sei. Não ligo muito a essa coisa da idade. Ouvi há dias que a idade que tens não tem importância nenhuma, a não ser que sejas um vinho... Eu também acho. Não sou um vinho... Aliás, se viver tantos, e tão bons, anos como a minha bisavó, ainda não estou a meio da minha vida, e isso só pode deixar-me feliz!

Gosto de pensar que esta é a idade certa para fazer o que estou a fazer.

Às vezes, muitas vezes, conto esta história engraçada de não desistir dos sonhos, de comprar mota depois dos quarenta, de me apaixonar pelo mundo das motas depois dos quarenta e as pessoas parecem sempre surpeender-se. Perguntam-me quantos anos tenho como se houvesse uma idade limite para se realizarem os sonhos, ou para se andar de mota com o mesmo prazer de um andolescente rebelde que "rouba" a mota ao pai para percorrer trilhos num pinhal (sim, eu nunca "roubei" a mota ao meu pai em adolescente, mas acredito que o prazer que sinto a andar de mota deve ser o mesmo...). E  tenho esta teoria meio louca, meio séria, de que em relação aos anos que tens, tal como em relação aos quilómetros que tens em cima de uma mota, a pergunta certa não é "quantos já fizeste?", mas "quantos vais fazer?". Mas rio-me perante o espanto, e respondo-lhes que tenho a idade certa para fazer o que me deixa feliz.

E, se, por um acaso (e tudo na minha vida é sempre por uma acaso repleto de vontade, e paixão, e um pouco mais de vontade), e se, por esse acaso que eu construí, no mês em que fazes quarenta e dois anos, menos de um ano depois de teres a tua mota, já rodaste estrada suficiente para saberes que os teus melhores amigos estavam errados quando te disseram que esta loucura das motas não sobreviveria aos meses de inverno,  e afinal esta loucura das motas cresceu e eu quero cada vez mais rodar cada vez mais estrada, e, ainda por esse acaso, que eu teço com fios de vontade e paixão, escreves, no mês em que fazes quarenta e dois anos, um artigo dedicado a este tema forte de "Girl Power", para uma revista como a Motociclismo, acreditas mesmo que este é bem capaz de ser o caminho certo!

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Boas curvas| 

 

09
Nov15

A primeira vez

Dora Sofia

Tinha 18 anos quando sonhei em ter mota. Quis tirar a carta de mota. O meu pai disse que não, que não entendia para quê, que não me serviria para nada, que não pagava. E não pagou. E eu fui para as vindimas, levantar-me de madrugada, sentir o barro que se pega às botas quando chove, e sentir o mosto que se cola à pele quando o sol aquece, para ganhar dinheiro para tirar a carta. Penso que foi a primeira vez, ou talvez a única, em que "desobedeci" ao meu pai, em que me "independentei" do meu pai...

Durante muitos anos, ele acreditou que teve razão... que não me serviria para nada. 

Durante muitos anos, eu acreditei que haveria de passear na minha mota. Deixar-me ir com ela, sem destino, ou com destino disfarçado de sem destino, como nos parecem sempre os destinos de andar de mota. 

Hoje demos a nossa primeira voltinha.

Tenho 41 anos, a provar que os sonhos não têm prazo de validade... 

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Boas curvas!

 

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