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De capacete e batom

De capacete e batom

26
Set16

Benção dos capacetes 2017

Dora Sofia

Eu devia escrever sobre as borboletas na barriga que se agitaram logo, logo, enquanto o rapaz preparava as motas. Da janela da cozinha conseguia vê-lo muito bem a verificar tudo, ajustar os parafusos do vidro, lavar, pôr óleo, limpar as viseiras... E eu cheiinha de borboletas na barriga. Sabem aquela sensação de fazer as malas antes de uma viagem? É a mesma! Íamos à Benção dos Capacetes.

Devia escrever sobre a novidade de andar de mota com um grupo.

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Bem, podem dizer que já andei em grupo, no Portugal de lés-a-lés. E andei. Mas não é a mesma coisa. Aqui a ideia era sair de casa com o grupo e seguirmos até Fátima. Ora, alguns deles sabem bem que ando de mota há pouco tempo... E, depois, há sempre o tal pormenor... sou mulher! Por isso, andei meia dúzia de quilómetros com a sensação desagradável de achar que tinha todos os olhares sobre mim, como se tivesse de fazer tudo bem feito. Mas, depois, houve um momento, aquele momento!, em que o vento no rosto e o acelerador na mão foram mais fortes do que tudo, e lembro-me de ter pensado "Que se dane! Aprecia a viagem!". E larguei estrada fora. Eu e a minha mota, com os olhos na mota da frente. Quero lá saber!...

Também devia escrever sobre a emoção das estradas repletas de motas, sobre a emoção de um missa para milhares de motards, sobre a emoção de, mais uma vez, perceber como somos tão diferentes e como partilhamos o mesmo gosto pelas motas. E somos muitos! De diferentes formas e feitios... como as motas que por lá páram.

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Podia escrever sobre o prazer que tenho em conhecer lugares. Os sítios são tão diferentes quando andamos de mota! Tão diferentes, que, às vezes, muitas vezes, era capaz de jurar que nunca passei ali...É tudo tão novo.

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Mas não, não vou escrever sobre isso. Isso já passou. 

Vou escrever sobre o dia depois do dia da Benção dos Capacetes. Vou escrever sobre as viagens dos dias. Vou escrever sobre viagens de ir ali ao lado. Todas as viagens são boas!

Trinta quilómetros de casa. Trinta para lá, mais trinta para cá. E que bem que me souberam... Adoro andar de mota! As curvas do Oeste são uma coisa sem explicação. Entre Torres Vedras e o Bombarral, há muito alcatrão para se ser feliz!! 

Sim, bem sei que não são os caminhos que hei de percorrer com a GS (um dia...), mas eles estão lá, que eu bem os vejo, e são uma provocação.

Enquanto isso, vamo-nos fazendo às curvas, eu e a Branquinha. 

 

Boas curvas!

 

08
Jun16

De água nos olhos e água na boca

Dora Sofia

Deixem-me contar-vos um segredo. Às vezes, muitas vezes, a vontade de escrever sobre as minhas histórias em duas rodas não é tão grande como o tempo para andar sobre duas rodas. Além disso, deixem-me contar-vos outro segredo, eu não gosto tanto assim do meu mundo virtual. Aqui não há vento no cabelo, nem prazer debaixo da pele, nem aquele sentimento louco de liberdade...

Mas há palavras que não cabem numa imagem e há imagens que transbordam palavras. Aqui há histórias feitas de andar de mota!

A história de hoje é a dos que vivem de coração dividido entre a serra e o mar. Houve  treino intenso nas curvas da serra e olhos, quase, quase, sempre, no mar.

Começamos em qualquer lugar, com uma ideia, uma sugestão, um desafio. E, depois, seguimos as placas que nos aliciam com promessas dm monumento, de um sítio, de um lugar que te tira o fôlego. 

O lugar acaba por vir ao nosso encontro. Hojé é o cabo Espichel! Com visita ao farol e às escarpas que o cercam.

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 Paramos pelo Santuário, não para rezar, mas para comer, porque num cantinho há um bar acolhedor e simpático. Espantam-me os turistas estrangeiros que encontramos. São sempre tantos!

 

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 O rapaz incita-me aos caminhos e eu vou atrás. Gosto de terra. A minha mota não gosta tanto assim, mas entre umas escorregadelas, uns abanões e um bocadinho de frio na barriga, chegámos, por enqanto, a um compromisso: ela não me atira ao chão e eu não a deixo cair. Coisas de miúdas...

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Depois, almoçamos por Sesimbra, numa esplanada à beira-mar. A ideia era clara: comíamos qualquer coisa bem baratinha, um peixinho do dia, porque a ideia era seguir caminho, não gastar muito tempo, não gastar muito dinheiro. E assim seria, se o marido não fosse o simpático do costume, se não se deixasse enredar nas conversas aparentemente inofensivas do empregado de mesa, que o alicia com um peixe do mar, que o marido recusa por experiência, e o alicia com perceves como se se tratassem de tremoços, que são aceites por simpatia. Os perceves, não os tremoços. E a conta é choruda, mas mau, memso mau, é que eu nem gosto tanto assim de perceves...

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Continuamos pelas curvas da Serra da Arrábida. Perdemo-nos. Tenho quase a certeza, mas ele diz que não. E eu deixo-o acreditar que sim, que acredito que ele sabe mesmo para aonde vamos quando entramos no caminho de brita e terra batita. 

Alcançada a estrada, as curvas da Serra da Arrábida valem a incerteza.

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Lá em baixo, o mar é uma mistura  de cores vibrantes. E, neste momento, pensas que, afinal, não há preço para estes momentos em que te falta o ar, porque sentes toda a grandeza da serra e estás de olhos perdidos naquela imensidão de mar...

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Boas curvas!

 

 

03
Jan16

Entre curvas: do Oeste à Beira Baixa

Dora Sofia

O dia estava carregado de promessas: estava garantido o tempo necessário de viagem sem chuva ou vento; os miúdos entregues aos avós; o roadbook elaborado; o óleo na corrente (ups!!)... e o sol a brilhar!

 

Mas, como sempre, do outro lado da montanha, nada é como parece ser. Ao fim da meia dúzia de quilómetros que nos separa do cume da Serra de Montejunto, o nevoeiro instalou-se a ensombrar a primeira parte da viagem. Em Santarém pouco vimos, mas fica a vontade de voltar, as casas anunciam-se glamorosas e as ruas repletas de coisas para descobrir. Perdemo-nos no nevoeiro e as portas do sol encontraram-nos por acaso, mas do sol nada! apenas portas... do nevoeiro...

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Já em Almourol, o sol espreitou por minutos. O tempo suficiente para um cházinho na esplanada e umas fotografias...

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Era preciso continuar. A fome levou-nos até ao "Pezinhos no Rio" em Constância, uma esplanada sobre o rio, com um bom bife e um preço bastante em conta, se considerarmos a localização maravilhosa ,e onde o rapaz que nos atendeu fez questão de salientar "sou  um rapaz simpático, mas a inteligência não é o meu forte" e nós concordámos, pois se o fosse ele não diria tal pérola. De notar: os gatos! há mil gatos a passear pelas ruas e, claro, há Camões!

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Próxima paragem: Vila de Rei, Centro Geodésico de Portugal. Não era uma primeira vez, mas de mota, já o disse, tudo é uma primeira vez. descer aquela estradinha, cheia de gravilha e caruma, com umas quantas curvinhas acentuadas foi uma novidade. Acho que, tal como qualquer motard, se os houvesse a assumirem a sua inexperiência, ao contrário do "a descer todos os santos ajudam", a minha grande aventura são as descidas com curvas... Mas em breve viria a perceber como é que a coisa se faz, se não fosse pelas explicações e conselhos detalhados do meu PMT (personal motorcycle trainer) seria pela quantidade de curvas que o trajeto seguinte impunha. 

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A ideia era dormirmos numa aldeia perdida entre montes e montanhas do concelho de Oleiros, onde residem habitualmente meia dúzia de habitantes, e cujo caminho para lá se carateriza pela emblemática resposta à questão "O que é que há na Urraca a seguir a uma curva? Outra curva!!!"

 

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A Urraca é uma aldeia onde ainda encontramos algumas casinhas em pedras, mas muito poucas; a migração dos habitantes para outras terras levou-os a reconstruir e construir casas sem a manutenção das caraterísticas originais. Em contrapartida, as pessoas continuam bem originais e a nossa chegada é sempre um acontecimento, quer tenhas lá estado há dois anos ou há dois dias atrás. Os habitantes (muito poucos!) abrem-te as portas de casa e tens de beber, e tens de comer, e tens de conversar, mesmo!, porque rede de internet só há em esquinas fugidias e o televisor, nos dias em que há visitantes (nós!), é um móvel decorativo para colocar naperons de croché e fotografias antigas.

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Já do caminho de regresso pouco há a contar. A chuva afirmou-se como companheira desde o início e eu percebi que, se não me incomodava particularmente com ela enquanto pendura, como condutora  o discurso não é o mesmo... A meio do caminho optámos pela auto-estrada e aí também não fiquei fã. Andar um pouco mais depressa com a minha Branquinha é um verdadeiro exercício de força de braços, peito, pescoço... 

Foi a minha primeira longa viagem. Tenho a certeza que será a primeira de muitas, porque a vontade tem espírito indomável!!

 

Boas curvas!

 

 

 

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