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De capacete e batom

De capacete e batom

05
Dez16

Vou ali e venho já

Dora Sofia

A ideia era apenas tirá-la da garagem, ir à farmácia da vila e, no limite, passar pela escola, entregar papéis, parar na Câmara, pagar umas faturas... Enfim,  meia dúzia de quilómetros e estava feito. Daqui a nada o meu "paciente" precisa de mim como enfermeira.

O problema é que a minha Branquinha é endiabrada e tem vontade própria e, assim que se apanha na estrada, começa a torturar-me. Mais um bocadinho, só mais um bocadinho, só mais um bocadinho...

E, depois, tu paras para lhe mostar que tu é que mandas e já foi bom teres vindo até ali, já fizeste uma dúzia de quilómetros e paras só para uma foto, e é segunda feira e percebes que aquele é provavelmente um dos melhores momentos dos últimos dias. 

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E sobes para cima dela e deixas que ela te leve. 

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Só tens de estar em casa à hora de almoço para o teu novo papel de "enfermeira". E estás! Que importa se fizeste cem quilómetros para voltar a casa?

 

Boas curvas!

 

14
Jun16

Do querer ao poder vai a distância da vontade

Dora Sofia

Há um ano atrás enamorei-me por esta coisa de andar de mota. Quer dizer, assim, desta forma, a sério. Há um ano atrás, fiz o Portugal de Lés-a-Lés, como pendura, e adorei! Quando finalmente chegámos a Albufeira, cansados, a noite já ia avançada e eu, enquanto esperava na fila pelo momento de subir ao palanque, de sorriso nos lábios, decidi "para o ano venho na minha mota!".

Acho que não houve ninguém que não tivesse achado a ideia tão disparatada que não começasse a rir. Marido, família, amigos. Compreendo-os. Na verdade, há um ano atrás, eu nem sequer tinhar tinha experiência a andar de mota. Aliás, eu nem sequer tinha mota!

Eu insisti. O marido zangou-se com a insistência e tentou demover-me, até ao momento de eu lhe anunciar que a decisão estava tomada, portanto, disse-lhe eu, ou me ajudas a comprar a mota, ou compro-a sozinha (o que seria terrível, atendendo ao meu profundo conhecimento acerca de motas). Ele percebeu que eu falava a sério e conseguiu salvar-me de comprar um chaço velho e uma outra que, via-se logo!, após a primeira curva ia atirar comigo ao chão.

Comprei a Branquinha. Faltava o mais difícil: a experiência. A experiência não se compra no supermercado, nem se aluga num balcão dos serviços. Tinha mesmo de andar de mota! E andei! Andei, andei, andei! não fiz os 10000Km que os "entendidos" pediam como pré-requisitos, mas a vontade valia por muitos kilómetros e houve um momento qualquer em que o meu homem percebeu isso e me disse que sim, que eu era bem capaz de conseguir fazer o Lés-a-Lés.

Eu nunca duvidei que fosse capaz. Conheço-me bem. Quando quero, quero mesmo!

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Além disso, um desafio assim, uma aventura destas é o melhor psicólogo, médico, terapeuta que se pode ter. Para terem uma ideia, havia 1550 motas. 14 (apenas! ) eram conduzidas por mulheres. A minha era uma delas!! Ser capaz, conseguir, chegar ao fim, fazer todo (mesmo todo!!!) o percurso e, no final, ter a certeza que se vai repetir é das melhores sensações do mundo.De repente, percebes que és capaz, que és forte, que a tua vontade te leva longe, porque não ficaste só a sonhar, e foste, fizeste, esforçaste-te.

Não o consegui sozinha.Claro que não! O meu maridão esteve sempre comigo, a orientar-me quando eu precisei que me dissessem para pôr a primeira e "prego a fundo" desviando-me das motas caídas, que os condutores estavam bem, e sem olhar para o rio lá em baixo, ou  a curtir as suas curvas, quando eu queria tempo para a  minha velocidade. Sem ele, não seria possível. Talvez o melhor de tudo seja mesmo saber que ele está ali ao meu lado, saber que o meu querer é também o querer dele, que a minha vontade é multiplicada por dois. A isto eu chamo felicidade!Obrigada, meu amor!

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 Ficaram com vontade de saber por aonde andei no Portugal Lés a Lés? Eu prometo que conto tudo num outro post...

Boas curvas!

21
Mar16

Com a cabeça cheia de vento

Dora Sofia

Está a chover. A primavera chegou repleta de água e, entre os miúdos "fechados" em casa, os relatórios e avaliações para terminar, a antevisão das mil e uma coisas que tenho para fazer na próxima semana, sinto-me a deprimir... Não posso andar de mota! Não posso andar de mota! Não posso andar de mota...

Dou por mim, no carro, a inclinar-me nas curvas,  a fazer contas aos minutos que me sobram entre atividades, a ir à garagem ligar-lhe o motor só porque sim... São sinais de dependência que não consigo controlar.

Uma amiga diz-me que quando ando de mota fico com a cabeça cheia de vento. Talvez. Talvez, às vezes, muitas vezes, seja bom ter a cabeça cheia de vento. Deixar que as palavras que ouvimos, as palavras que dissemos e as palavras que calámos se misturem com o vento.

 Andar de mota apazigua-me a alma. Escrever sobre andar de mota apazigua-me as palavras que me atormentam a alma. 

E, se ao fim de um dia de trabalho árduo, em que és obrigada a pôr a tua máscara de "olhem-para-mim-tão-querida-e-simpática-a-fazer-uma-coisa-de-que-gosto" (quando eu gosto é de ensinar e não de fazer aquelas outras trezentas mil tretas que os professores têm de fazer), quando pensas que o dia não pode ficar pior, te cruzas com alguém com quem discutes porque ainda (e sempre!) te bates pelo teu direito de questionar as coisas que te mandam fazer e às quais não encontras sentido, e pegas na mota para mais nada que não seja ficar com a cabeça cheia de vento, se, então, descobres uma realidade que esteve sempre ali e que tu nunca viste, de novo as palavras brincam contigo e enchem-se de vento "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. (livro dos conselhos)", in Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

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Boas curvas!

 

03
Mar16

Paixão #2

Dora Sofia

Naquele momento em que, depois de dias e dias a contar as horas sem andar, porque está a chover, ou os miúdos, ou o trabalho, ou a tempestade, ou os horários, e dás por ti a fincar os pés em qualquer passeio sempre que ouves uma mota e, sim, sentes inveja, e percebes que arranjaste mil desculpas para a tirar da garagem, ah! esqueci-me do pão, ah! tenho de ir levantar dinheiro, e nenhuma desculpa serviu, porque está a chover, ou os miúdos, ou o trabalho, ou a tempestade, ou os horários, e chegas a casa, e hoje é que vai ser!, e o raio do vento sopra desalmadamente, e desanimas, e sentas-te a olhar para ela, como se estivesse tudo errado na tua vida, e depois mandas tudo ao ar e vais só ali ao lado pôr gasolina (50 km é mesmo ali ao lado...) pensas que és bem capaz de estar viciada nisto.

Boas curvas!

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